Filtro Solar - Como protegem a pele da radiação ultravioleta, e quais os riscos destes produtos

Publicado em: Sexta, 06 de Março de 2009 21:40:46

Filtro Solar, (também conhecido como bloqueador solar, ou protetor solar) pode ser encontrado na forma de loção, spray, gel ou outro produto tópico que tem como efeito a absorção ou reflexão radiação ultravioletas presente nos raios solares, protegendo, assim, a pele em que foi aplicado.

A radiação ultravioleta pode causar danos em nossa pele, e o tipo de dano depende do tipo de radiação a que a pele foi exposta. Existem três variações da radiação ultravioleta:

Tipo de Radiação Ultravioleta
UV-A é a radiação que tem o maior comprimento de onda, penetra na pele a atinge a derme. Contribui para o aparecimento de queimaduras solares, envelhecimento precoce da pele, danos aos olhos, e pode afetar o sistema imunológico. A radiação UV-A quase não é filtrada pela camada de ozônio presente na atmosfera e chega facilmente a superfície.
UV-B esta radiação atinge principalmente a camada externa da pele, a derme. Podem provocar queimadura na pele, supressão do sistema imunológico, diversos problemas dermatológicos, entre eles o câncer de pele e o envelhecimento precoce. A radiação UV-B é filtrada pela camada de ozônio, mas uma parte chega a superfície.
UV-C esta radiação é tão perigosa com a UV-B, porém é praticamente toda filtrada pela camada de ozônio e outras partículas suspensas na atmosfera, dificilmente chegando a superfície terrestre.

Os filtro solares possuem um ou mais elementos capazes de filtrar a radiação ultravioleta. Estes elementos podem ser de três tipos principais:

  • Compostos químicos orgânicos, que absorvem a luz ultravioleta (como exemplo temos a oxibenzona );
  • Partículas inorgânicas que refletem, espalham, e absorvem a radiação ultravioleta (como exemplo temos o dixido de titânio e o óxido de zinco);
  • Partículas orgânicas, absorvem a luz como os compostos químicos orgânicos, mas também podem refletir e espalhar um fração da luz como ocorre com as partículas inorgânicas (como exemplo temos o Tinosorb M).

A combinação e a quantidade destes elementos presentes nos filtros solares é que determinaram o seu poder de proteger a pele contra a radiação solar, este potencial de proteção geralmente é calculado pelo FPS (Fator de Proteção Solar) do produto. A forma de calcular o FPS acaba levando em conta os efeitos da radiação UV-B, que é a radiação que pode provocar lesões na pele em um curto período de exposição.

Como o método de calculo do FPS de um filtro solar leva em conta o tempo necessário para que a pele fique vermelha quando exposta a radiação solar, e a radiação UV-B será a que primeiro provocará a reação da pele, este método não determinará a proteção do filtro solar contra os raios UV-A de forma satisfatória.

Na escolha do filtro solar, deve-se observar, independente do seu FPS, se ele pode proteger a pela da radiação UV-A.

Existem diversos elementos que podem filtrar (absorver, espalhar, refletir) a radiação solar. Tomando como exemplo a tabela de elementos aprovados pela FDA dos Estados Unidos, nela podemos ver que tipo de radiação ultravioleta cada elemento pode filtrar:

UV-filter Outros nomes UVA UVB
p-Aminobenzoic acid PABA   X
Padimate O OD-PABA, octyldimethyl-PABA, σ-PABA   X
Phenylbenzimidazole sulfonic acid Ensulizole, Eusolex 232, PBSA, Parsol HS   X
Cinoxate 2-Ethoxyethyl p-methoxycinnamate   X
Dioxybenzone Benzophenone-8 II
X
Oxybenzone Benzophenone-3, Eusolex 4360, Escalol 567 II X
Homosalate Homomethyl salicylate, HMS   X
Methyl anthranilate Methyl-aminobenzoate, meradimate II
 
Octocrylene Eusolex OCR, 2-cyano-3,3diphenyl acrylic acid, 2-ethylhexylester II
X
Octyl methoxycinnamate Octinoxate, EMC, OMC, Ethylmethoxycinnamate, Escalol 557, 2-ethylhexyl-paramethoxycinnamate, Parsol MCX   X
Octyl salicylate Octisalate, 2-Ethylhexyl salicylate, Escalol 587,   X
Sulisobenzone 2-Hydroxy-4-Methoxybenzophenone-5-sulfonic acid,

3-benzoyl-4-hydroxy-6-methoxybenzenesulfonic acid, BENZ-4, Escalol 577

II
X
Trolamine salicylate Triethanolamine salicylate   X
Avobenzone 1-(4-methoxyphenyl)-3-(4-tert-butylphenyl)propane-1,3-dione, Butyl methoxy dibenzoylmethane, BMDBM, Parsol 1789, Eusolex 9020 I
 
Ecamsule Mexoryl SX, Terephthalylidene Dicamphor Sulfonic Acid I, II
X
Titanium dioxide  CI77891 I, II
X
Zinc oxide   I, II
X

Esta tabela considera duas faixas de proteção para a radiação UVA, a faixa I que compreende a radiação de 340-400nm, e a faixa II de 320-340nm.

Devemos lembrar que nesta tabela não estão listados todos o elementos filtrantes de radiação UV, apenas os elementos permitidos pela FDA (U.S. Food and Drug Administration), que é a agência americana encarregada de controla a fabricação deste produto.

Podemos observar na tabela que nem todos os elementos atuam em todos os tipo de radiação UV, na verdade a minoria consegue atingir toda a faixa de radiação UV, os outros elementos, ou protegem apenas contra a radiação UV-B (a maioria), ou contra uma faixa da radiação UV-A e a UV-B simultaneamente.

Interessante notar que os dois elementos inorgânicos presentes na tabela (Dióxido de Titânio e Oxido de Zinco) são completos, atingindo todas a faixas de radiação.

Efeitos da Radiação Ultravioleta nos seres Humanos

Um dos maiores benefícios de se expor aos raios solares, e consequentemente a radiação ultravioleta, é a estimulação da produção de vitamina D em nosso organismo. Esta vitamina é importante pois aumenta a capacidade de absorção de cálcio e fósforo presentes nos alimentos que ingerimos, além de desempenha um papel crucial no desenvolvimento do esqueleto, função imunológica e formação de células sanguíneas.

A vitamina D pode ser ingerida na alimentação, mas ela se encontra em poucos alimentos, está presente principalmente nos peixes gordos e óleo de fígado de bacalhau. Em alguns países é comum alguns alimentos serem enriquecidos com vitamina D, como farinha, cereais e leite. A exposição aos raios solares parece ser a maneira mais simples de produzir a quantidade de vitamina D que necessitamos. De 5 a 15 minutos de exposição de duas a três vezes por semana são o suficiente para manter os níveis desta vitamina elevados no organismo.

Radiação UV, na forma de laser, lâmpadas, ou uma combinação destes dispositivos e medicamentos tópicos que aumentam a sensibilidade UV, são por vezes utilizados para tratar pacientes com certas doenças que não tenham respondido a outros métodos de tratamento. Também conhecida como fototerapia, este método de exposição a radiação UV é realizada por um profissional da saúde treinado sob a supervisão de um dermatologista. Estudos sugerem que a fototerapia pode ajudar a tratar casos graves de doenças que não respondem a outros tratamentos, incluindo: raquitismo, psoríase, eczema, vitiligo e lúpus.

Os primeiros efeitos de um excesso de radiação UV são as queimaduras solares, causadas principalmente pela radiação UVB. A longo prazo, radiação UV induz a alterações degenerativas nas células da pele, tecido fibroso e vasos sangüíneos levando ao envelhecimento prematuro da pele, photodermatoses e queratoses actínicas, foto-imunosupressão (diminuição das defesas imunológicas). Outro efeito de longo prazo é uma reação inflamatória do olho. Nos casos mais graves, câncer de pele e catarata podem ocorrer.

Não podemos, então, deixar expor nosso corpo a radiação ultravioleta, mas também não podemos nos expor em excesso. Devemos então procurar nos proteger dela a maior parte do tempo, ou cobrindo nosso corpo com roupas, usando óculos que filtrem esta radiação, e usando filtros solares nas partes difíceis de se proteger de outra forma, ou quando estamos na praia, por exemplo.

Mas os filtros solares também podem apresentar riscos a saúde.

Ricos do uso de Filtros Solares

O filtros solares protegem a pela das agressões dos raios solares, mas precisamente dos efeitos do excesso de radiação ultravioleta, e consequentemente ajudam a evitar principalmente dois tipos de câncer de pele, o carcinoma espinocelular, e o carcinoma basocelular. Estes dois tipos de câncer estão relacionados a exposição da pele aos raios ultravioletas. Este são os tipos mais comus de câncer de pele, e não apresentam grande risco portador, o tratamento cirúrgico realizado de forma precoce leva a cura na maioria dos casos.

Existe um terceiro tipo de câncer de pele, mais perigoso, o Melanoma Maligno. Melanoma é um tumor muito grave devido ao seu alto potencial de produzir metástases enviando células tumorais para outros órgãos, onde se desenvolvem. O melanoma também pode se desenvolver em áreas da pele que não ficam expostas ao sol. Estudos demonstraram que o risco de desenvolver o melanoma é maior em pessoas que apresentam exposição intermitente aos raios solares em relação a pessoas que tem exposição continua ao sol.  Outros estudos demonstraram uma frequência maior de melanoma maligno em usuários de filtros solares se comparados a pessoas que não os utilizam.

No entanto as únicas evidencias sugerindo uma relação entre protetores solares e o melanoma são correlationais, e não podem afirmar com provas suficiente, que existe uma relação de causa entre eles.

Quem defende a teoria de que protetores solares podem sim causar o melanoma acham que isto pode ocorrer por um dos seguintes mecanismos:

  • A ausência de filtros para radiação UVA em alguns protetores solares combinada com um maior tempo de exposição ao sol pelo usuário do protetor, que acredita estar protegido de todas as formas de radiação UV;
  • Menor geração de vitamina D nos usuários de filtro solar, pois o organismo necessita receber radiação UV para produzir esta vitamina;
  • Quando se reduz a exposição da pele à radiação UVB, suprime-se a produção do protetor solar natural da pele, a melanina, e a falta de melanina dá origem a um aumento do risco de melanoma;
  • Estudos tem demonstrado que elementos químicos dos protetores solares penetram na pele, e estes elementos geram radicais livres que podem ativar o surgimento do melanoma;
  • Capacidade patogênica e cancerígena das nanopartículas de titânio e óxido de zinco, presentes em alguns protetores solares;

Conclusão

O filtro (protetor) solar tem feito cada vez mais parte da vida das pessoas. A preocupação com o envelhecimento precoce da pele e os riscos de câncer de pele estão fazendo com que os protetores solares sejam cada vez mais consumidos. No entanto a falta de informação leva a população ao uso de maneira errada destes produtos. Passar o filtro solar na pele e permanecer no sol por mais de duas horas sem uma reaplicação, nadar, usar toalha, e achar que continua protegido, comprar produtos que não protegem contra a radiação UVA, comprar produtos com FPS mais elevados pensando que poderá ficar exposto ao sol por muito mais tempo.

Estudos que tentam relacionar o uso de protetores solares com o câncer de pele mais grave, o Melanoma, ainda não podem levar a conclusão de que não se deve usar os filtros solares. No entanto pode-se tomar alguns cuidados. Procurar um dermatologista para que ele indique o filtro solar adequado o tipo de pele, sempre que possível optar por filtros solares com fator de proteção menor, por exemplo, FPS 15 ao invés de FPS 30, se a pele é de um tipo menos sensível, pois com o FPS menor o filtro conterá menor concentração de elementos que poderiam causar o câncer de pele.

O uso consciente é a melhor forma de se proteger.

Não deixe de ler sobre o Fator de Proteção Solar.

Referência:

http://www.who.int/entity/uv/en/
http://www.fda.gov/cdrh/tanning/uvradiation.html
http://www.dermatologia.net/novo/base/doencas/espino.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/Sunscreen_controversy
http://en.wikipedia.org/wiki/Sunscreen
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